A “SIDA” (FIV) E A “LEUCEMIA” (FeLV) DOS GATOS

A “SIDA” (FIV) E A “LEUCEMIA” (FeLV) DOS GATOS

 

Das doenças que podem afectar os gatos, tanto o FIV (Vírus da Imunodeficiência Felina) como o FeLV (Vírus da Leucemia Felina) são das mais preocupantes, quer pela sua frequência, quer pela gravidade dos sintomas clínicos que provocam. Ambos atingem apenas a espécie felina (não sendo portanto contagiosos nem para o homem nem para os cães) e pertencem à família dos retrovírus, sendo responsáveis por quebra dos mecanismos de defesa imunitária e também por estados tumorais (são oncógenos).

O FeLV

O vírus da leucemia felina foi descoberto em finais dos anos 70, pertence à subfamília dos oncornavirus e caracteriza-se por poder provocar o desenvolvimento de tumores de evolução frequentemente mortal. No entanto, a maior parte das mortes provocadas por este vírus advém de infecções secundárias devido à imunosupressão que provoca, como infecções virais (peritonite infecciosa felina), fúngicas (cryptococose), bacterianas (pneumonias, abcessos cutâneos, infecções na boca, etc.) e outras como a toxoplasmose e a micoplasmose.

Aliado às infecções oportunistas, os animais infectados estão também sujeitos a anemia e a desordens da medula óssea, como as doenças mieloproliferativas, em que uma ou mais células da medula óssea prolifera à custa de outras linhagens celulares. Alguns animais infectados podem conseguir combater e eliminar o vírus, mas quando tal não sucede, ou passam por um estado de latência (em que o vírus não se manifesta mas pode reactivar-se a qualquer momento) ou desenvolvem doença mortal ao longo de poucos anos. A transmissão ocorre sobretudo através da saliva. Brigas, mordeduras, lambidelas e/ou partilha de comedouros e camas são factores que aumentam o risco do animal à infecção. A virémia surge entre 14 e 21 dias após infecção.

O FIV

O vírus da imunodeficiência felina foi descoberto em 1987, é da subfamília dos lentivírus (de evolução lenta) e muito semelhante ao que provoca a SIDA humana. Também origina um quadro de imunodeficiência grave, diminuindo a capacidade do animal para combater infecções, choques pós-operatórios e alterações originadas do stress. O período de incubação do vírus ronda as 4 a 6 semanas, sendo as células de defesa (linfócitos) as primeiras a serem infectadas. O animal pode passar por várias fases: inicialmente desenvolve sintomatologia ligeira pouco específica (febre, anorexia, aumento dos gânglios), chamada a fase aguda; segue-se um período assintomático que pode durar vários anos e culmina com um período em que o gato pode exibir vários sintomas relacionados com as complicações desenvolvidas, tais como infecções secundárias crónicas (gengivite, estomatite, conjuntivite, diarreia crónica, insuficiência renal) tumores, FeLV e transtornos nervosos, entre outros. A transmissão pode ocorrer por contacto com qualquer tipo de secreção, ocorrendo principalmente por mordedura e por isso os gatos de rua (ou os que a ela têm acesso) adultos e não esterilizados são os mais afectados, devido às lutas territoriais.

Diagnóstico

Os animais podem ser testados por testes rápidos (kits de ELISA) para ambos os vírus ou por outros meios de diagnóstico laboratorial. Todos os gatos, principalmente aqueles em que o estado de saúde dos pais não é conhecido, ou que são retirados da rua ou de gatis, devem ser testados para estas duas doenças, na medida em que um animal que seja positivo, mesmo não tendo ainda sintomatologia, deve ser seguido regularmente e devem ser tomadas especiais precauções. Se o gato se mantiver saudável, a idade correcta para o diagnóstico deve ser efectuado por volta dos 6 meses, de modo a que se for positivo, tenha desenvolvido anticorpos/antigénios que

sejam suficientes para dar realmente positivo nos testes rápidos. Contudo, se o animal apresentar alguma doença antes dos 6 meses, o diagnóstico deve ser realizado nesse momento.

Prevenção

A prevenção é a melhor “arma” existente contra estas doenças, pois actualmente ainda não há nenhum tratamento eficaz para eliminar estes vírus. Os tratamentos terapêuticos não são específicos e têm apenas a finalidade de melhorar e tentar prolongar a qualidade de vida do gato.

De momento, a única maneira de defender o gato destas doenças é impedir o contágio através da profilaxia sanitária, aproveitando o facto destes vírus serem muito pouco resistentes no meio ambiente. Ainda contra o FeLV, há a possibilidade de vacinar o animal.

Medidas de prevenção

→ Desinfecção e período de quarentena antes de introduzir um novo gato nos locais onde viveu um gato contaminado

→ Testar todos os animais com acesso à rua ou de origem desconhecida (despistar portadores)

→ Não deixar que o animal saia para o exterior ou contacte com outros gatos desconhecidos

→ Vacinar contra o FeLV (informe-se junto do Médico Veterinário)

→ No caso de animais infectados, proibir o seu contacto com animais sãos (muito importante!!) e evitar infecções oportunistas, mantendo o ambiente limpo e vacinações e desparasitações em dia. Estes gatos, quando controlados e vigiados pelo Médico Veterinário, podem viver vários anos com uma boa qualidade de vida!

Gato com FIV ou FeLV: como actuar??

Mesmo tomando as devidas medidas de prevenção, alguns animais podem ser infectados, ou mesmo nascerem já com a doença por transmissão materna. No caso de posse de um gato doente, devem ter-se cuidados redobrados para manter uma boa qualidade de vida do gato doente:

  • Manter a vida do gato indoor de modo a não infectar gatos sãos;
  • Realizar castração/Ovariohisterectomia;
  • Manter o ambiente habitado sempre limpo e higienizado para evitar infecções secundárias oportunistas;
  • Realizar as desparasitações externas e internas e vacinações, mantendo as profilaxias actualzadas;
  • Consultar regularmente o médico veterinário para manter o acompanhamento clínico necessário;
  • Em caso de possuir mais de um gato, estando um deles infectado, impedir contacto entre eles (difíci!!) ou ponderar doar o gato infectado a alguém sem gatos e que possa manter a vida deste no interior.