A importância da alimentação do seu animal de estimação
Uma alimentação saudável desempenha um papel crucial na saúde do seu animal. Um plano nutricional for adequado tem várias vantagens:
- Vai fortalecer os músculos e a estrutura óssea
- Ajuda a eliminar o excesso de gordura
- Contribui para um bom sistema imunitário
- Mantém as forças por muito mais tempo
- Favorece uma pele e um pêlo mais saudável
- Ajuda na prevenção de determinadas doenças
- Ajuda nos tratamentos de determinadas doenças
Requisitos de uma dieta equilibrada
Para que uma dieta seja considerada equilibrada, ela deve:
- fornecer proteínas de alta qualidade, que são o componente essencial dos músculos, ossos, pele, pêlo, órgãos e outros tecidos. Fornecendo também os aminoácidos essenciais para que o animal cresça saudavelmente;
- Ter uma combinação completa de vitaminas e antioxidantes para proteger o animal de doenças e infecções e fortalecer o sistema imunitário.
- Ter ácidos gordos essenciais, como os Omega-6 e Omega-3, que favorecem o rejuvenescimento nutricional da pele e o processo natural de cicatrização. Além disso ajudam a manter um pêlo saudável e brilhante;
- Ter energia e bom sabor, a partir das gorduras e de hidratos de carbono. Estas características são importantes durante os primeiros anos de vida do animal, assim como para animais muito activos.
- Ter teor de fibra suficiente de forma a que seja altamente digerível, e que origine um baixo volume de fezes;
- Ter quantidade de minerais suficiente para a formação de dentes e ossos fortes e saudáveis. Os minerais mantêm um bom equilíbrio hídrico e favorecem as reacções bioquímicas que se produzem no corpo;
- Ter teor de radicais livres necessários para eliminar a presença de oxidantes que se formam devido ao metabolismo.
Em resumo, a saúde do seu animal de estimação depende das quantidades e proporções que receba dos nutrientes correctos. Estes nutrientes podem ser classificados em seis grupos: água, proteínas, gorduras, carbohidratos, minerais e vitaminas. À excepção da água, os alimentos identificados como 100% completos e equilibrados contêm todos os nutrientes necessários, e nas quantidades adequadas. A água limpa e fresca deve estar sempre à disposição, pois é tão importante quanto os nutrientes.
Algumas recomendações na hora de escolher uma boa ração para o animal passam por ter em conta a idade do animal, a sua condição corporal e o estilo de vida. Por exemplo, animais com mais de um ano deverão comer rações para adultos. Já animais com menos de um ano devem ter uma alimentação adequada para o crescimento. Também o facto de serem ou não castrados afecta as necessidades nutricionais de cada animal.
Com respeito ao estado corporal, podemos ter animais magros, normais e obesos, e aí a ração também varia. Segundo estes aspectos, temos de procurar uma categoria de alimentos com a nutrição adequada para satisfazer as suas necessidades. De uma forma geral, a seguinte tabela pode servir como base para um animal considerado normal:
| Jovem (crescimento) | Adulto (manutenção) | |
| Cão | Proteína: 21% ou mais
Gordura: 8% ou mais |
Proteína: 21-26%
Gordura: 8-18% |
| Gato | Proteína: 30% ou mais
Gordura: 8% ou mais |
Proteína: 30% ou mais
Gordura: 6% ou mais |
Os valores de proteína e de gordura variam se considerarmos também o nível de actividade, etapa da vida e condição corporal do nosso animal.
Tipos de dieta
Segundo a composição nutritiva
Na actualidade existem três tipos mais importantes de dietas para os animais: produtos secos, semi-húmidos e enlatados. As principais diferenças estão na humidade, custo, gosto e qualidade nutritiva. Todos estes factores devem considerar-se na hora de avaliar a dieta alimentaria para o seu pet. Mesmo com todas estas diferenças, graças às actuais tecnologias, todos os tipos de alimento estão formulados para proporcionar uma nutrição completa e equilibrada.
- Dietas enlatadas: contêm entre 18% e 25% de proteínas, 2% e 15% de gorduras, e humidade entre 75% a 80%. O consumo total de alimento é elevado, já que o conteúdo calórico é baixo. Estas dietas são as mais saborosas. Uma vez que a lata foi aberta, o alimento deve conservar-se no frigorífico. Os gatos devem ter uma refeição húmida entre 2 a 3 vezes por semana. Dado que estes animais são provenientes do deserto, necessitam de um bom aporte de água.
- Dietas semi-húmidas: contêm entre 16% e 25% de proteínas, 5% e 10% de gorduras, 25% e 35% de carbohidratos, e 30% de humidade (pode ascender aos 50%). São alimentos também caros, mas mais fáceis de conservar do que os enlatados.
- Dietas secas: estes alimentos contêm entre 18% e 27% de proteínas, 7% e 15% de gorduras, menos de 12% de humidade e entre 35% e 50% de carbohidratos. Estas percentagens são ligeiramente maiores nas dietas secas para gatos. São dietas que proporcionam algumas vantagens sobre as enlatadas. Por exemplo, são mais fáceis de conservar e fazem a limpeza mecânica dos dentes ajudando a reduzir cáries e tártaro. Assim, este tipo de ração deve ser a base de uma alimentação.
À medida que o conteúdo da água da dieta aumenta, a quantidade de proteínas, gorduras e outros nutrientes essenciais diminui. Assim, o nosso pet tem que ingerir uma porção maior dos produtos para receber a nutrição necessária.
Segundo qualidade nutritiva
Para além da classificação dos alimentos segundo a sua consistência, os produtos também se classificam segundo o seu preço, lugar de compra e densidade nutritiva, (e em menor medida, sabor e digestão) em:
- Super-Premium: de forma geral, estão no topo pelas suas características. Vendem-se em locais especializados para animais (clínicas e hospitais veterinários) e são os mais caros. Geralmente são também os mais ricos em calorias e nutrientes da máxima qualidade.
- Premium: em geral vendem-se nos armazéns e lojas especialistas animais. Têm preços moderados e uma qualidade média.
- Não-Premium: encontram-se no extremo inferior da lista pelo baixo preço e densidade nutritiva. É frequente encontrá-los nas lojas alimentares e centros comerciais.
Esta classificação dos alimentos é muito geral e depende das próprias marcas e fabricantes. No entanto, é válida para a maioria das marcas que se encontram actualmente disponíveis no mercado. Para além destas rações, podemos encontrar dietas de prescrição médica unicamente disponíveis em clínicas e hospitais veterinários.
Mitos e erros na alimentação dos nossos amigos
Comeria comida para animais? Então porque deveriam eles comer da nossa comida?
Alguns donos gostam de adicionar restos de comida caseira à alimentação do seu animal, como demonstração de afecto e carinho. Estes donos, tipicamente acham que o animal estará melhor alimentado assim. No entanto, há que ter em conta que alguns alimentos humanos não são adequados e podem ser prejudiciais para o nosso amigo. As necessidades nutricionais dos cães e gatos não são as mesmas do que as nossas. Os restos de comida podem ser muito saborosas, mas não fornecem uma alimentação equilibrada.
Coisas a evitar
- As carnes, peixes e aves que às vezes se juntam na ração devem estar bem cozidos, e não devem conter ossos nem espinhas.
- Não se deve dar leite ou derivados lácteos, uma vez que, com a idade, os animais perdem a capacidade de os digerir. Isto poderá ter como consequência alterações intestinais.
- Um erro comum é fornecer restos de comida para corrigir a falta de nutrientes quando se usam dietas nutricionalmente pobres (as mais baratas). Se se fornecer uma dieta equilibrada, não serão necessários suplementos vitamínicos ou minerais. Apenas o Médico Veterinário está capacitado para receitar estes suplementos.
- Deve-se evitar e vigiar as mudanças no comportamento, tais como pedir durante as nossas refeições ou roubá-las.
- Se o animal apresentar excesso de peso, alterações gastrointestinais ou sintomas de desiquilibrio nutricional, deve-se suspender as “comidas extras”. Nestes casos deverá consultar um Médico Veterinário.
- Os animais, sobretudo os cães, adoram os doces. oferecer doces como recompensa ou prémio deve ser evitado. Por exemplo, o chocolate contém teobromina, que em grandes quantidades é tóxica para o animal e pode provocar vómitos, diarreia, ansiedade, tremores e até a morte. Estes sintomas podem observar-se 4-6 horas após ingestão do chocolate.
- A maioria dos factores associados a obesidade no homem, são os mesmos para os animais. Por isso, é aconselhada a diminuição da ingestão de gorduras e o aumento dos níveis de exercício de forma a manter a melhor condição física e mental do seu animal.
- Consumo excessivo de ovos pode provocar deficit de biotina e isto manifesta-se sob a forma de dermatites (inflamação da pele), queda de pêlo e atraso no crescimento.
- Consumo de alguns peixes pode provocar deficit de tiamina que dá lugar a anorexia, postura inadequada, debilidade, ataques e até morte em casos mais graves.
- Consumo de carnes pouco cozidas podem conter parasitas. Além disso, a carne não é um alimento equilibrado e pode conter grandes quantidades de gordura.
- Consumo de fígado origina intoxicação por hipervitaminoses A que dá lugar a perda do pêlo, anorexia, sonolência, seborreia, vómitos, agressividade, atraso no crescimento…
- Não se deve dar ossos, porque podem formar fragmentos que podem encravar na boca, garganta ou estómago/intestino.
Doenças derivadas de uma má alimentação
Mesmo que os animais sigam uma dieta equílibrada não estão isentos de padecer algum transtorno, como diarreia, vómitos, gastrite. A origem destes males quase sempre está nas mãos dos donos, mas ás vezes são os próprios animais que não toleram alguns alimentos ou aditivos nas rações. Seja como for, o seu aparelho digestivo acaba danificado e a saúde comprometida.
- Gastrites: as causas são muitas, mas as mais frequentes incluem o consumo de alimentos fora da validade ou mal acondicionado, intolerância alimentar, consumo de alimentos do lixo (putrefactos, tóxicos…)
- Obstruções e inflamações do esófago: frequentes em animais que comam ossos. Os ossos podem causar pequenas feridas e irritação e, no pior dos casos, encravar ou perfurar o esófago. Em casos mais graves, o osso pode alojar-se na entrada do tórax e dar lugar a dificuldade respiratória e possível morte.
- Dilatação gástrica: trata-se uma urgência médica grave. É frequente nos cães de raça grande que comem só uma vez por dia e fazem exercício após a refeição. O estômago enche-se de comida e gases, gira sobre si e não deixa sair o ar. Isto faz compressão sobre o sistema circulatório e produz um estado de choque (vómitos, dor abdominal, depresão… morte)
- Diarreias: a causa mais frequente das diarreias são as mudanças contínuas na alimentação, que não dão tempo que o intestino se prepare para receber um novo tipo de alimento. Também podem ocorrer devido a pequenas “guloseimas” que são introduzidas na dieta pelo dono.
- Outras alterações derivadas a uma má alimentação: litiases (formação de cristais e pedras no aparelho urinario), hirpertenção (o excesso de sal pode dar lugar a graves problemas cardiacos), alterações no crescimento e na massa muscular (por défidit de determinados minerais e vitaminas), etc, etc…
Conselhos ou higiene alimentar
A quantidade diária de alimento que o nosso animal precisa depende de factores como as necessidades reais de energia, tamanho e peso do animal. É ideal respeitar um horário regular de alimentação. No primeiro ano de vida, é recomendável que ingira uma quantidade fixa em duas ou três toma. Quando for adulto, já se pode administrar a comida de uma só vez, já que próprio animal vai alimentar-se segundo as suas necessidades. Deste modo, o animal ajustará o seu hábito alimentar, isto é, a ingerir pequenas quantidades de comida, várias vezes ao dia.
O animal deve ter sempre água limpa e fresca à disposição, perto do comedouro.
Deve-se proporcionar a quantidade exacta de ração aconselhada nas embalagens e que se ajustem às necessidades reais do animal.
Os animais têm preferências alimentares individuais, pelo que irmãos da mesma ninhada podem adquirir hábitos completamente diferentes. Mas há aqui uma coisa a apontar: quanta mais variedade se ofereça ao animal, mais variedade desejará. Mesmo dois animais sendo irmãos, com o mesmo tamanho, idade e actividade, podem precisar de quantidades diferentes de comida, simplesmente porque têm diferentes ritmos metabólicos.
Quanto mais activas sejam as nossas mascotes, maiores serão as suas necessidades nutricionais, e quanto mais frio seja a temperatura ambiental, maior será a ingestão de alimentos para poder manter o calor corporal.
As futuras mães devem alimentar-se com comidas próprias para este período, já que requerem de necessidades nutricionais muito específicas, tanto na gestação, como parto e lactação, e é este alimento que normalmente se vai dar também aos bebés.
Os cachorros devem ser desmamados por volta das 6 semanas e, já nesta altura, devem iniciar a ingestão de pequenas quantidades de comida sólida (convém misturar com um pouco de água no início, para amolecer o granulado).