O ANIMAL DE ESTIMAÇÃO E AS SUAS ORELHAS: Otite e Outras Infecções

O ANIMAL DE ESTIMAÇÃO E AS SUAS ORELHAS: Otite e Outras Infecções

As orelhas dos cães e dos gatos são um dos aspectos que lhes conferem mais carácter e charme. No entanto, estas estruturas sensoriais podem também ser foco de infecções ou desconforto, desencadeando uma otite que necessitará de atenção médico-veterinária. Este folheto, dá-lhe algumas informações sobre o ouvido, os seus problemas e tratamento.

Constituição do ouvido

  • Pavilhão auricular – é a orelha propriamente dita do seu animal
  • Ouvido externo – recebe as ondas de som através de pêlos sensoriais
  • Tímpano – separa o ouvido externo do ouvido médio
  • Ouvido médio – apresenta pequenos ossos que transmitem ondas de som
  • Ouvido interno – descodifica os sons e é responsável pelo equilíbrio corporal

O ouvido externo tem um canal vertical comprido que vai até ao fundo e passa, na horizontal, para o ouvido interno. Muitas doenças do ouvido começam nesta zona. No entanto, existem outras doenças que  estão relacionadas com o pavilhão auricular e com o seu formato.

Otite – da causa à cura

Cães com orelhas longas e caídas, como as raças Basset Hound e Cocker Spaniel, têm frequentemente má circulação de ar no ouvido externo. Por outro lado, o cerúmen produzido não é escoado de forma eficaz. Ouvidos com muitos pêlos, como nos cães de raça caniche, podem acumular cerúmen, pois os pêlos compridos obstruem o canal auditivo externo. Algumas raças produzem muito cerúmen e, embora possam ter um canal auditivo com bom formato, acumulam-no muito rapidamente. Desta forma, criam-se as condições ideais para o crescimento e proliferação de bactérias, fungos e leveduras.

Como se desenvolve uma infecção

Quando existe um excesso de cerúmen dentro do ouvido, as bactérias que normalmente só se multiplicam na pele, passam a ser um factor de irritação. O animal sente desconforto, abana a cabeça e coça as orelhas. Se estes sinais persistirem, a pele pode ficar mutilada e pode forma-se um oto-hematoma (acumulação de sangue entre a cartilagem da orelha e da pele). Geralmente, estas condições requerem tratamento cirúrgico.

Se não são controladas, as infecções dos ouvidos podem propagar-se para o ouvido médio. No entanto, é raro que isto aconteça no ouvido interno, a não ser que uma infecção activa do ouvido permaneça sem tratamento.

Problemas do ouvido interno no cão e no gato causam um andar típico com a cabeça descaída para um dos lados, podendo apresentar vómitos e perdas de equilibrio.

Causas de doença do ouvido

As infecções do canal auditivo são favorecidas pela inflamação e acumulação de cerúmen no ouvido. Para cuidar destas correctamente, o médico veterinário poderá recolher material e cultivá-lo para identificar o agente, escolhendo assim o melhor tratamento.

Condições da pele: o canal auditivo é revestido por pele. Como tal, é necessário considerar que problemas crónicos de infecção do ouvido podem ser o resultado de uma infecção persistente da pele. De facto, se o canal ficar inflamado, esta situação pode causar mais problemas que a irritação de pele original. Doenças metabólicas dos órgãos internos também deverão ser consideradas como possível causa de doença no ouvido.

Parasitas (Ácaros) do ouvido: são encontrados frequentemente em gatos e cães jovens. São brancos, do tamanho da cabeça de um alfinete e podem ser encontrados nos locais mais profundos do canal auditivo. Alimentam-se de cera produzida no canal auditivo e causam grande irritação quando se movem. Em gatos adultos causam menos irritação que nos mais jovens. Os gatos são a maior fonte de transmissão de parasitas aos cães. Podem ser eliminados usando gotas ou pomadas adequadas.

Corpos estranhos: podem causar intensa irritação e problemas graves no canal auditivo e tímpano (ex: praganas). Os sintomas são dramáticos e a remoção da causa, geralmente sob anestesia, proporciona um alívio rápido.

Tumores: pouco frequentes, desenvolvem-se especificamente no ouvido. Tumores benignos, tais como pólipos, podem ser removidos. Tumores malignos podem não ter tratamento, mesmo usando métodos cirúrgicos radicais.

Alimentação: alguns animais fazem reacções alérgicas a certos alimentos. A sintomatologia alérgica pode manifestar-se em todo o corpo ou apenas sob a forma de inflamação do ouvido.

Diagnóstico e tratamento

Sintomas como coçar-se na base das orelhas, abanar frequentemente a cabeça, sentir desconforto ao tocar nas orelhas, apresentar a cabeça inclinada para um dos lados e  febre são indicativos da presença de otite. A presença desta sintomatologia ajuda no diagnóstico. No entanto, é muito importante diagnosticar a verdadeira causa de qualquer irritação. Os tratamentos feitos com gotas ou pomadas sem a avaliação prévia pelo médico veterinário podem mascarar ou piorar a situação.

Para fazer um exame completo, o médico veterinário usa um otoscópio. Este aparelho permite uma visão total do canal auditivo externo e do tímpano, permitindo assim um melhor diagnóstico. Quando se verifica que o canal auditivo está demasiadamente sujo, é muitas vezes necessário recorrer a tranquilização ou anestesia geral do animal para fazer uma limpeza inicial. Este procedimento possibilitará um exame mais claro do canal auditivo e do tímpano.

Os tratamentos são normalmente feitos recorrendo à aplicação de gotas específicas. No entanto, em casos mais severos, pode ser necessário a administração de antibióticos por via oral. Em caso de problemas com a forma do ouvido, crescimento exagerado de pêlos ou alterações estruturais por infecções crónicas a cirurgia poderá ser necessária. Existem técnicas cirúrgicas que envolvem a cobertura do canal auditivo ou a sua remoção para restabelecer a circulação e drenagem para acabar com o desconforto do animal.

Prevenção

Como em todas as doenças, “a prevenção é melhor que a cura”. Assim sendo, para evitar a formação de otite, deve dar especial atenção à higiene das orelhas do seu animal.

Como prevenir doenças do ouvido?
  1. Verifique o interior dos ouvidos regularmente: cheiro, produção de cerúmen, etc.
  2. Aplique o produto de lavagem auricular próprio aconselhado pelo médico veterinário do seu animal (veja em baixo como fazer a aplicação correcta)
  3. Depois dos passeios (especialmente no Verão), verifique se há praganas no pêlo e remova-as para prevenir a entrada destas no ouvido.
  4. Mantenha toda a pele do animal saudável
  5. Quando der banho ao seu cão coloque pequenas bolas de algodão no ouvido
  6. Visite o médico veterinário de forma regular.
Como utilizar o produto de lavagem auricular?

A melhor forma de aplicar as gotas é ter o animal calmo e na posição sentado. Com o auxilio de outra pessoa, torna este procedimento muito mais simples. Colocando a cabeça ligeiramente inclinada, devem aplicar-se algumas gotas do produto e efectuar uma massagem na base da orelha. Após a massagem, deve-se deixar o animal abanar a cabeça, para que o cerúmen acumulado chegue à superfície. Posteriormente deve ser retirado o excesso de líquido e de sujidade com o auxilio de uma compressa.

O uso de cotonetes deve ser evitado, visto que a sua utilização no interior do ouvido pode danificar os pêlos sensoriais que transmitem o som. Além disso, movimentos bruscos do animal durante a sua utilização podem provocar lesões graves. Os cotonetes poderão ser utilizados para a limpeza das dobras internas existentes na parte externa do ouvido, desde que previamente humedecidos e que o movimento seja efectuado de dentro para fora, para evitar empurrar a sujidade novamente para o interior. A extracção de pêlos que possam existir à entrada do ouvido, com o auxílio de uma pinça, permite uma melhor circulação do ar e um melhor efeito do produto de limpeza auricular

Para qualquer dúvida, consulte o médico veterinário do seu animal de estimação.

Quando o tratamento é necessário, como se devem aplicar as gotas terapêuticas?

A necessidade, frequência e tipo de tratamento a realizar é uma decisão do médico veterinário, após a avaliação clínica do animal. Quando há necessidade de aplicação de gotas terapêuticas, estas devem ser aplicadas após uma lavagem auricular prévia. Depois da lavagem, o produto de tratamento é aplicado e a base da orelha massajada, de modo a espalhar o produto. Não é necessário extrair o excesso de líquido colocado, devendo deixar-se o produto actuar.