BABESIOSE (Febre da Carraça)
A Babesiose está largamente distribuida pelo globo terreste, embora haja uma maior incidência nas zonas tropicais, sub-tropicais e temperadas. Esta doença afecta principalmente o cão, embora também possa afectar o gato. Na última década foi demonstrado o efeito patogénico da babesiose em humanos nos E.U.A., México, Europa e União Soviética. Estes casos foram causados por babésias que infectam roedores e ruminantes.
Embora existam 71 espécies de Babésias, em Portugal, a Babesia canis é a mais comum. Sendo encontrada no interior de eritrócitos (local mais frequentemente parasitado) e de alguns neutrófilos do sangue periférico, este protozoário é considerado um hemoparasita. Ele é responsável pela destruição dos eritrócitos. Nos gatos, a doença é provocada pela Babesia felis e as células parasitadas são as mesmas, mas o tamanho desta espécie de babésia é bastante menor.
O periodo de incubação, que é o tempo que decorre entre o momento em que o animal contrai a doença e o aparecimento dos primeiros sintomas, varia entre dez dias e três semanas.
Sintomas
Os sintomas iniciais são normalmente depressão, fraqueza, anorexia (falta de apetite) e mucosas pálidas. A icterícia, febre e esplenomegália são normalmente sintomas que aparecem mais tarde.
O grau de parasitismo, a resposta imunológica e a idade do hospedeiro são factores muito importantes, que contribuem para a variação das respostas clínicas.
A forma aguda da doença ocorre normalmente em cães jovens muito parasitados. Podem ser encontradas petéquias ou equimoses nos cães com trombocitopénia.
A infecção crónica é, por seu lado, caracterizada por febres intermitentes, perda de apetite e de condição física gradual.
A babesiose felina afecta principalmente gatos com menos de dois anos. Caracteriza-se pelo aparecimento de sintomas como inaptência, letargia, fraqueza e mucosas pálidas. A febre e a icterícia são sintomas raros.
Diagnóstico
No exame hematológico, a anisocitose, poiquilocitose, policromasia e presença de eritrócitos nucleados são sinais da anemia hemolítica regenerativa, sempre presente. A trombocitopénia (número de plaquetas inferior ao normal), ocorre em infecções médias a severas. Nos casos mais graves, pode ainda desenvolver-se azotémia e acidose metabólica, espleno, adeno e hepatomegália, e ainda, mucosas ictéricas.
As alterações laboratoriais dependem da severidade da doença. Nos casos mais precoces, caracterizam-se por anemia, bulirrubinémia, bilirrubinúria e hemoglubinúria devido à lise dos eritrócitos (glóbulos vermelhos). A presença de proteínas na urina (proteinúria) também é frequente.
Tratamento
Além do tratamento anti-parasitário, deve ainda ser feito sempre que necessário, o tratamento de suporte. Nos casos mais simples o tratamento anti-babésico será suficiente. Este varia com o tipo de hospedeiro e de parasita, de tal forma que estes devem sempre ser especificados. O tratamento de suporte pode incluir transfusões sanguíneas, administrações de bicarbonato de sódio, ferro, vitaminas do complexo B e de esteroides anabolizantes. Podem ainda ser necessários anticoagulantes nos casos mais graves. No caso da transfusão, o sangue dos dadores deve ser sempre inspeccionado e testado contra esta doença parasitária.
Prevenção
A prevenção é o principal meio de actuação para evitar a doença e deve ser feita controlando os principais vectores, ou seja, algumas espécies de carraças (Rhipicephalus sanguineus e Dermacentor reticulatus).
Os animais provenientes de áreas endémicas devem ser sujeitos a uma quarentena de três meses antes de serem admitidos em canis. A vacinação não é totalmente eficaz (cerca de 80%), mas está provado ser uma medida bastante benéfica na prevenção em zonas de maior risco. Aconselhe-se junto do médico veterinário.