CONTROLO REPRODUTIVO: Cães e Gatos

CONTROLO REPRODUTIVO: Cães e Gatos

Importância

O controlo reprodutivo deve ser realizado ao longo da vida do animal, fazendo parte do exame clínico aquando uma consulta no médico veterinário. Para o animal ter uma boa qualidade de vida, o proprietário deve perguntar-se sobre qual será o tipo de vida do seu animal e também sobre se pretenderá manter a sua vida reprodutora. Após ponderar e aconselhar-se junto do médico veterinário, deve decidir se pretende realizar a castração.

Castrar ou não castrar

Actualmente, num grande número de países, a principal razão para a castração é o controlo do número de animais abandonados. Teoricamente, uma cadela fértil pode ter 2 ninhadas por ano com uma média de 8 cachorros cada. Por isso, em 6 anos, uma cadela e a sua prole geram 67.000 cães. Nos gatos, os números são cerca de 6 vezes superiores. Isto torna-se preocupante se pensarmos que muitos dos gatos têm acesso livre ao exterior. A castração oferece também benefícios directos aos animais.

Ovariohisterectomia (gatas e cadelas)

A remoção do útero e dos ovários (ovariohisterectomia) elimina o risco de piómetra (infecção uterina com acumulação de exsudado purulento), tumores uterinos ou ováricos e quistos ováricos. Também as neoplasias mamárias ocorrem em número bem mais significativo em fêmeas férteis. A maioria desses tumores são dependentes das hormonas sexuais e uma grande percentagem têm tendência a evoluir para tumores malignos.

A prevalência de tumores mamários em cadelas esterilizadas antes do primeiro cio é de 0.05%. No entanto, cadelas esterilizadas após o primeiro ou o segundo cio apresentam taxas de 8% e 26% respectivamente. Quanto mais tarde for a esterilização, mais alta é a taxa de incidência de tumores mamários. Pesquisas recentes demonstraram também que, depois dos 2 anos de idade, gatas não esterilizadas têm 8 vezes mais probabilidades de desenvolver tumores mamários.

Castração em cães

Machos criptorquideos (descida incompleta de um ou dos dois testículos para o escroto) têm grandes probabilidades de desenvolver tumores testiculares malignos. Por isso, a castração é sempre recomendada nestes animais.

Machos castrados têm algum grau de protecção contra a hiperplasia prostática benigna. Alterações comportamentais resultantes da castração são benéficas a vários níveis. A castração pode diminuir agressões interespecíficas, marcação territorial, evacuações inapropriadas, agressões a humanos e alterações aquando do cio.

Castração em gatos

Tal como nos cães, gatos criptorquídeos têm indicação cirúrgica para a castração. Além disso, os gatos castrados tornam-se mais sedentários e próximos do dono, reduzindo o risco de acidentes como brigas e atropelamentos.  Outra vantagem é uma melhor manutenção da higiene. Um gato castrado tem menos tendência para marcações de território e, na maioria dos casos, a urina tem com um odor muito menos ácido e exuberante.

A castração em gatos permite também uma diminuição da incidência de doenças tais como o FIV e o FeLV. Também importante é o facto de permitir uma diminuição da população de gatos errantes, diminuído o número de ninhadas de gatas abandonadas.

Cuidados a ter num animal utilizado para reprodução

Pré-gestação

Quando um dono, ciente de toda esta informação, pretende fazer reprodução do seu animal, existem alguns cuidados que pode oferecer ao seu amigo(a). O controlo da gravidez deve ser seguido mesmo antes desta ter ocorrido. São necessários alguns testes para corrigir o mais cedo possível as alterações encontradas:

  • Contagem celular e bioquímica, para descartar desordens sub-clínicas.
  • Doseamentos hormonais para excluir alterações nas hormonas sexuais.

Quando estes testes estão correctos e não existem doenças subclínicas pode-se planear o acasalamento e em seguida proceder a um diagnóstico de gestação. Existem várias ferramentas de diagnóstico que se podem utilizar:

  • Ecografia: é a ferramenta mais precoce que podemos usar, desde o 17º dia após ovulação. Tem grande fiabilidade a partir do 23º dia.
  • Teste de relaxina (cadela): detecta a relaxina fetal e pode ser usado a partir do 21º dia. Tem grande fiabilidade a partir de um mês de gestação.
  • Radiologia: pode ser usada a partir do 28º dia. Tem grande fiabilidade a partir dos 40 dias quando se conseguem visualizar as colunas vetebrais e crâneos dos fetos.
  • Palpação: é necessária bastante experiência, mas em alguns indivíduos pode ser usada como meio de diagnóstico a partir do 15º dia de gestação.
Pós-gestação

Uma vez confirmada a gestação é aconselhado fazer visitas de controlo antes de um mês de gestação. Estas devem incluir contagens sanguíneas, medição de glicose, proteínas e progesterona, bem como uma ecografia para fazer contagem de vesículas fetais.

O próximo controlo deve ser realizado 15 dias antes do parto. Este deverá incluir controlo de peso, contagem sanguínea, medição de glicose, cálcio e proteínas sanguíneas e ainda uma ecografia para avaliar o desenvolvimento e viabilidade dos fetos. Durante esta visita informamos o dono sobre as instalações para o parto, as alterações comportamentaisbe as vigilâncias necessárias.