DIROFILARIOSE – O Parasita do Coração

DIROFILARIOSE – O Parasita do Coração

A Dirofilariose é uma doença endémica em certas regiões do país, como a nossa. A sua incidência está ligada à prevalência das várias espécies de mosquitos que se alimentam de sangue e que transmitem o parasita.

Ciclo de vida

O ciclo de vida da Dirofilaria immitis começa quando um mosquito pica um animal infectado e ingere sangue  com microfilárias ou larvas no seu primeiro estágio (L1). Durante duas a três semanas, no interior do mosquito as larvas evoluem para L2 e depois para L3. É nesta fase que as formas larvares do parasita são transmitidas ao animal saudável através da picada do mosquito. Estas formas larvares migram desde a pele até atingiram o sistema circulatório. Durante a migração sofrem novas mudas, para L4 e depois L5, num ciclo que demora 9 a 12 dias.

As L1 só se podem desenvolver no mosquito. Desta forma, as microfilárias transmitidas em transfusões sanguíneas ou através de placenta não provocam doença, uma vez que não conseguem evoluir para o verme adulto. No entanto, aconselha-se que animais dadores de sangue sejam sempre despistados para esta doença.

Uma vez atingido o sistema circulatório, os vermes jovens migram preferencialmente para artérias pulmonares onde se tornam adultos. No entanto, são geralmente necessários cinco a seis meses para que a infecção se torne patente e as fêmeas grávidas libertem microfilárias, repetindo assim o ciclo.

Sintomas

Quando o número de vermes é pequeno, eles vivem nas artérias pulmonares. À medida que o seu número vai aumentando, alguns migram para o coração. Por vezes, devido a número excessivo de germes, o fluxo de sangue que sai do ventrículo direito pode ficar obstruído. O mesmo pode acontecer a nível das veias cavas e das artérias pulmonares.

Em geral, a dirofilariose provoca uma maior resistência ao fluxo sanguíneo pulmonar e uma distensão do coração. Por este motivo, podem surgir sintomas como tosse, dificuldade respiratória, hemoptise (saída de sangue pela boca) e insuficiência cardíaca direita. Podem ainda surgir sequelas como lesões a nível do fígado, rins e pulmões.

Detecção das microfilárias

Em 75 a 90% dos cães com dirofilariose são detectadas microfilárias circulantes. Por outro lado, no gato as microfilárias raramente são encontradas.

Para visualizar microfilárias no sangue, existem testes de concentração e testes de não concentração. Os últimos não são recomendados devido ao grande número de resultados negativos quando o animal é portador da doença (falsos negativos).

Nos casos em que existe suspeita de doenças mas não se observaram microfilárias, podem ser efectuados testes serológicos. No entanto, em animais pouco parasitados (existência de menos de cinco vermes) os resultados podem ser falsos negativos .

Nota: Um resultado positivo ao teste pode persistir por um ano após o tratamento adulticida bem sucedido.

DIROFILARIOSE CANINA

A Dirofilariose não tem preferência por idade ou raça do animal. No entanto, os machos são duas a três vezes mais afectados do que as fêmeas. Por outro lado, cães que vivem ao ar livre são infectados com maior frequência do que os que são criados dentro de casa. Além disso, e ao contrário do que se poderia imaginar, o comprimento do pêlo não parece ter qualquer influência no risco da infecção.

A maioria dos cães é assintomática quando a doença é diagnosticada. Por esse motivo recomenda-se um teste de rotina anual, principalmente para cães que vivam em zona endémicas.

Cães com a doença oculta, são mais propensos a exibirem sinais clínicos como dispneia (dificuldade em respirar) ao fazerem exercício, fadiga, síncope, tosse, hemoptise, perda de peso e/ou sinais de insuficiência cardíaca direita.

Prevenção

A prevenção deve ser feita em todos os cães não infectados, bem como após um tratamento bem sucedido. Em cachorros que vivam em áreas endémicas, a prevenção pode iniciar-se na época das primeiras imunizações.

Actualmente existem fármacos desparasitantes para prevenir a Dirofilariose. Em zonas de Inverno rigoroso, pode interromper-se o uso destes fármacos durante um ou dois meses, voltando a administrar-se um mês antes da “estação do mosquito”, na Primavera. Actualmente, devido às alterações climatéricas, na nossa zona recomenda-se a profilaxia contra a doença durante o ano todo. A prevenção deve começar aos 6 meses de idade, após despiste através de um teste serológico.

DIROFILARIOSE FELINA

Acredita-se que a ocorrência desta doença em gatos seja paralela à dos cães na mesma área, porém, menos frequente.

A maioria dos gatos com Dirofilariose é do sexo masculino, o que pode estar relacionado com o maior período de tempo que passam ao ar livre, onde o risco de exposição aos mosquitos é maior.

Geralmente, os gatos possuem menos de oito vermes adultos no ventrículo direito do coração e nas artérias pulmonares. Em alguns, a doença é mesmo autolimitante. Este facto leva a crer que os gatos infectados têm menos vermes adultos que os cães e que isto acontece porque as filárias sofrem um desenvolvimento mais lento. Por este motivo, menos larvas infectantes atingem a fase adulta e o tempo de vida do verme adulto é mais curto.

A maioria dos gatos não apresenta microfilarémia e, quando ela existe, é por períodos de tempo muito curtos. Por outro lado, a migração aberrante dos parasitas é mais frequente que nos cães, principalmente para o cérebro.

Os sintomas da Dirofilariose nos gatos são variáveis: apatia, anorexia (perda de apetite), vómitos, tosse paroxística (sem parar), dispneia, sincope e morte súbita. Por outro lado, o surgimento de sinais neurológicos associados a apatia e anorexia é comum quando se dá a migração aberrante dos vermes. É rara a coexistência de sinais cardiopulmunares e neurológicos. Por outro lado, tanto a prevenção como o tratamento tendem a ser problemáticos devido às reacções adversas aos medicamentos.